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Confusões do I

Oi gente!!!!

Hoje desejo conversar um pouco sobre o i.
Ou melhor sobre as confusões envolvendo o significado de algumas palavras que começam com essa letra.
São elas: 
incapacidade, incompetência, imobilidade e idoso.

A meu ver,  muitas vezes as pessoas usam essas palavras como sinônimas. Mas é bom esclarecer:

Incapacidade é diferente de incompetência, que é diferente de imobilidade, que é diferente de idoso.

Ou seja:

ELAS SÃO BEM DIFERENTES!!!!!! 

Resumindo eu digo que, na minha percepção, 
incapacidade é não estar apto para; 
incompetência é não ser da competência de, ou não compete fazer; 
imobilidade é a falta de movimento, 
então...
isso não é sinônimo de idoso, não.

Concordo que alguns idosos podem estar vivendo um período de não aptidão para alguma atividade; 
pode até não ser da competência dele algumas coisas, num determinado tempo e espaço;
pode estar atravessando um período de mais dificuldade com a mobilidade corporal;
mas volto a dizer;
isso não é sinônimo de idoso. 

Fico muito incomodada quando escuto comentários como o que ouvi hoje. Estava num  laboratório de análises clínicas e um rapaz falava o segundo AVC que sua mãe fizera. A mulher do lado comentou algo do tipo: "É a idade. Não tem saída."

Uauuuu!!!!!!

Como isso é cruel!!!!

Não só com o idoso, mas também com todos nós que estamos caminhando na estrada da vida.

Até onde tenho observado na minha prática, a imobilidade da pessoa mais idosa é composta de um conjunto de fatores avassaladores:

Com muita frequência há um sedentarismo gradual e progressivo ao longo da vida, que costuma vir envolvido no discurso do não tenho tempo e nas facilidades restritivas do mundo moderno.

Não é raro uma imobilidade ou fragilidade, temporária, ser associada como definitiva, fundamentada no discurso de que isso é da idade. Por exemplo, se um jovem, ou um adulto jovem quebram o braço, a musculatura fica atrofiada, mas com a retomada do movimento, naturalmente o músculo volta à sua habilidade. Entretanto, em incontáveis casos, nós (filhos, netos, amigos, conhecidos...) atentos e preocupados, na ânsia de ajudar, fazemos tudo pelos nossos queridos velhinhos e acabamos roubando a chance deles fazerem e colocarem os seus próprios corpos em funcionamento total e pleno.
  
A apropriação indevida que se faz do NÃO ao longo da vida é sem sombra de dúvida limitador não só do movimento, mas também de toda a possibilidade de experimentação das próprias habilidades e potencialidades. Não consigo, não dou conta, não posso, não... não... não... Antes mesmo de se tentar, a gente já se inviabiliza. Puxa vida, como isso esta presente no discurso cotidiano na atualidade. 

O imediatismo do remédios, desprovendo do indivíduo a sua capacidade de resposta via ação do corpo.

Mas, com toda certeza, na minha ótica, o mais difícil é a introjeção do peso da cultura que associa velhice com decadência e degeneração. Esse talvez seja o maior peso que o idoso carrega; costuma ser carga dupla pois leva o peso dos comentários e atitudes alheios mais o seu próprio sistema de auto valor danificado na estima em baixa.

Movimento e idoso são compatíveis sim, isso minha prática tem comprovado continuamente.

Maria Tereza Naves Agrello
psicóloga, prof. ed. física e massoterapeuta
CRP-04: 13.506 e MEC-LP: 3047 


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