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MENSAGEM DE NATAL 2014

Ao longo da minha vida, no mês de dezembro, minha mãe preparava a casa para a celebração de Natal.

O presépio era sempre algo especial , apesar da simplicidade.  Ela envolvia pedras e pedaços de tijolos com papeis diferentes, que imitavam pedras e musgos, para formar a montanha e a manjedoura; algumas casinhas de barro, da tradição mineira, ao longe na “montanha”, representavam Belém;  um espelho velho formava o lago com patinhos; os animais ficavam espalhas por todos os cantos; os três reis magos, vindo ao longe; a “estrela-guia” ; Maria, José, o menino Jesus deitado num berço de palha, o Divino Espírito Santo. Cada ano ela fazia variações criativas sobre a mesma temática, numa harmonia simples e única que encantava os olhos e aguçava a curiosidade.

A árvore de natal, normalmente, grande e natural, era decorada com luzinhas coloridas, bolas de diferentes tamanhos e enfeites variados; os pendentes em espirais, que faziam a magia do movimento ao sabor do vento, completavam a decoração. Aos pés da árvore, uma montanha de pacotes, no geral lembrancinhas simples mas que com seus papeis coloridos enchiam os olhos da criançada.

A casa ficava repleta de enfeites por todos os cantos. O grande pinheiro, que ficava no jardim, era enfeitado com uma grande quantidade de luzes, dando boas vindas à todos.

Meia noite, com toda a família ao redor da árvore, a “Mamãe-Noel”, com seus ajudantes, distribuía os presentes. A oração pelas conquistas e agradecimentos era feita ao redor da mesa, com todos de mãos dadas. Depois, todos íamos saborear as delícias natalinas que já enchiam o ambiente com aquele cheiro delicioso.

As crianças iam rápido para a cama, porque o “Papai-Noel” passaria deixando os presentes das cartinhas, só depois que fossem dormir. O despertar, na manhã seguinte, era repleto de expectativas.

Este ano, a significação do presépio voltou a chamar minha atenção. Lembrei-me também de um texto do Malcolm Montgomery em que eu li que quando uma criança nasce, na realidade, acontecem quatro nascimentos: o de uma criança, o de um pai, o de uma mãe e o de uma família.

Desde a fecundação somos família, 50% do pai, 50% da mãe. E a partir daí nós nos fazemos uno e todo o milagre da vida acontece.

Independentemente de como seja essa família, ela passa a existir. Independente, de como seja a ligação e o contato de cada um de seus membros, existe uma família. Anônima, conhecida,  desconhecida, convencional, não convencional, amada, rejeitada; família grande, família pequena, família de um, família de dois, família de mil... sempre existe uma família por traz de cada um de nós.    

O Natal é a celebração da magia do nascer. É a celebração do nascimento de Jesus Cristo e também dos outros nascimentos; é a celebração da família; é a celebração da nossa família.

Onde quer que cada um esteja; seja lá como cada um for; por mais variada e inusitada que possa ser a sua constituição, nossa família É A NOSSA FAMÍLIA.

Natal é a celebração de Jesus bebê. O feto, no ventre da mãe, fez milhões de mutações para se tornar um bebê. Ao nascer, o bebê traz consigo essa marca; ele traz a força e a vitalidade da mutação, do eterno “vir a ser”, da transformação...

Natal é celebração da vida e ele em si é vivo, é dinâmico, é mutante... o mais legal nisso tudo é que, como tal, podemos acrescentar "milhões" de significações a ele, a cada celebração que fazemos.

Sendo assim, Natal é tempo de revisão; de ligação e de religação; de reaproximação; de revitalização do sentido e do sentimento de família. É tempo de perdão; de reconstrução; de nascimento do novo na dinâmica familiar... e; claro, é tempo de nos presentearmos enquanto família.


Neste Natal, desejo a todos: revitalização da capacidade de “vir a ser” e força para transformar o que precisa ser transformado dentro da vibração divina do nosso universo familiar.   

FELIZ NATAL !!!

Maria Tereza e família




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